Local

Paranapiacaba

Os índios abriram caminho pela mata, nisto, descobriram um percurso onde se vê o mar e possibilitava também acessá-lo. Esta Serra era lugar de trânsito pelos nativos, e os imigrantes tornaram não só lugar de trânsito, mas também lugar de permanência. Paranapiacaba é fruto de guerreiros nativos e imigrantes, na qual existem vestígios construídos no passado de trocas comerciais e culturais.

Em 1867, com a inauguração da São Paulo Railway, estabelece-se um espaço de passagem entre Santos e Jundiaí, tendo no início da serra para o planalto, Paranapiacaba, lugar que se tornou moraria de famílias de muitos funcionários ingleses e brasileiros da ferrovia. Essa Ferrovia era de grande importância, pois transportava produtos agrícolas do interior do país escoando para o exterior, como, no caso do café paulistano, também era usada como meio de transporte de pessoas para a capital e interior do estado.

Este diálogo criado pela ferrovia possibilitou a permanência de moradores nesta vila construída por ingleses, entrelaçou não só a cultura material da sua arquitetura, mas tradições culturais imateriais brasileiras e britânicas. O que chamamos Paranapiacaba hoje, no início do século XX se chamava de Vila Martin Smith e Vila Velha, a primeira habitada de funcionários da ferrovia e a outra composta de moradores que se interessaram em criar raízes neste novo lugar. Estas duas vilas eram divididas por uma ponte coberta pelas brumas, que as interligava, assim, como duas realidades e mundos distintos.

Após o fim da licença da empresa São Paulo Railway Co., em 1946, a empresa responsável por construir a ferrovia fez com que todos funcionários britânicos retornarem ao seu país de origem, deixando muitas memórias e marcas por toda vila. Houve transformações na gerência da ferrovia que a princípio era de propriedade privada de britânicos e passa para a ser administrada pelo poder público do governo brasileiro, essa modificação acaba transformando a circulação de pessoas e a cidade de Paranapiacaba de forma significativa.

Na década de 1980 foi desativado o uso da ferrovia e a cidade ficou parada no tempo. Em 2008, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) reconheceu a importância histórica e ambiental deste espaço com 4 milhões de metros quadrados de Mata Atlântica, e oficializa o tombamento da vila e seu o entorno em busca de preservar suas características, trajetórias e transformações pelo tempo.

Desde a década de 1990, Paranapiacaba recebe eventos que se apropriam da magia deste lugar, isto vem contribuindo com o fortalecimento das conexões entre pessoas em perceberem a sua importância histórica e mística. Acreditamos que o evento Mundo Celta, honrará os ancestrais desta terra e dos que moraram nesta vila, gerando assim, maior conhecimento sobre a magia herdada deste local e dos seus antepassados celtas e indígenas.